O ano de 2027 marcará uma das etapas mais importantes da transformação do sistema de impostos sobre o consumo no Brasil.
Se 2026 funcionou principalmente como período inicial de implementação e adaptação, a partir de janeiro de 2027 algumas mudanças passam a produzir efeitos muito mais concretos para as empresas.
Entre as principais novidades estão a extinção do PIS e da COFINS, entrada em vigor efetiva da CBS, o início do Imposto Seletivo e a redução do IPI a zero para a maior parte dos produtos.
Ao mesmo tempo, empresas precisarão rever sistemas, emissão de notas fiscais, contratos, formação de preços, aproveitamento de créditos e planejamento tributário. Por isso, esperar janeiro chegar para começar a preparação pode ser um erro.
Neste conteúdo, a Ogura Contabilidade explica o que muda com a Reforma Tributária em 2027 e quais cuidados as empresas precisam tomar.
O que muda com a Reforma Tributária em janeiro de 2027?
Índice
O ano de 2027 representa o início efetivo de uma nova etapa da tributação brasileira.
Em 2026, CBS e IBS foram introduzidos em caráter inicial, com alíquotas de teste. A partir de janeiro de 2027, porém, a CBS ganha protagonismo no sistema tributário federal.
As principais mudanças são:
- Extinção de PIS e Cofins;
- Cobrança efetiva da CBS;
- IBS com alíquota total de transição de 0,1%;
- Entrada em vigor do Imposto Seletivo;
- Redução do IPI a zero para a maior parte dos produtos;
- Continuidade de ICMS e ISS durante a transição;
- Avanço das novas regras de documentos fiscais;
- Adaptação dos processos de apuração e aproveitamento de créditos.
É muito importante destacar que ICMS e ISS não acabam em 2027. A redução desses dois impostos começará apenas em 2029 e continuará gradualmente até 2032. A partir de 2033, o IBS estará plenamente implementado.
PIS e COFINS acabam em 2027?
Sim. Essa é uma das mudanças mais importantes para as empresas. A partir de janeiro de 2027, PIS e COFINS serão extintos e substituídos pela CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços.
A CBS faz parte da nova estrutura de IVA criada pela Reforma Tributária e possui uma sistemática de não cumulatividade ampla. Isso significa que as empresas deverão rever a forma como registram compras, vendas e créditos tributários.
Negócios acostumados com a lógica de PIS e COFINS precisarão abandonar processos utilizados durante anos e adaptar seus sistemas à nova realidade.
Por isso, o impacto efetivo dependerá da atividade da empresa, das operações realizadas e dos créditos disponíveis.
Como funcionará o IBS em 2027?
Enquanto a CBS avança significativamente em 2027, a implementação do IBS será mais gradual.
O IBS — Imposto sobre Bens e Serviços substituirá futuramente ICMS e ISS, mas esses tributos continuarão existindo durante boa parte da transição.
Em 2027 e 2028, o IBS terá alíquota total de 0,1%, dividida em:
0,05% estadual + 0,05% municipal.
Isso significa que as empresas ainda precisarão conviver com ICMS e ISS. A substituição começa em 2029. A partir daí, as alíquotas de ICMS e ISS serão progressivamente reduzidas enquanto o IBS ganhará espaço.
Na prática, teremos durante alguns anos uma convivência entre o sistema antigo e o novo. Essa transição exigirá atenção das áreas fiscal, contábil e tecnológica das empresas.
O que acontece com o IPI em 2027?
Outra mudança relevante acontecerá com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A partir de 2027, as alíquotas do imposto serão reduzidas a zero para a maior parte dos produtos.
Entretanto, o IPI não desaparecerá completamente: O imposto continuará sendo utilizado em determinadas situações relacionadas à preservação da competitividade dos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus.
Para indústrias, essa mudança precisa ser analisada juntamente com a entrada da CBS e o restante da transição tributária.
Será necessário verificar o tratamento específico de cada produto, os impactos sobre créditos, custos e formação de preços.
O Imposto Seletivo começa em 2027?
Sim. O Imposto Seletivo (IS) entra em vigor em 2027. O tributo foi criado para incidir sobre determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Por essa razão, ficou popularmente conhecido como “imposto do pecado”.
Empresas que atuam nos setores sujeitos ao IS precisam analisar cuidadosamente seus impactos.
Isso porque o novo imposto pode interferir diretamente em:
- Custo dos produtos;
- Margem de lucro;
- Precificação;
- Demanda;
- Planejamento financeiro;
- Cadeia de fornecedores.
Portanto, 2027 não significa apenas substituição de impostos existentes. Também marca a entrada efetiva de um novo tributo federal.
O Simples Nacional muda em 2027?
Sim, mas o Simples Nacional não será extinto. Micro e pequenas empresas continuarão podendo utilizar o regime, desde que cumpram seus requisitos.
A Reforma Tributária, entretanto, permite uma decisão importante: a empresa poderá manter IBS e CBS dentro da sistemática simplificada ou optar pelo recolhimento desses tributos pelo regime regular.
- A escolha pode ser especialmente relevante para empresas que vendem para outras empresas.
Ao recolher IBS e CBS pelo regime regular, o negócio entra integralmente na sistemática de débitos e créditos desses tributos, permitindo apropriação de créditos nas compras e geração dos créditos correspondentes às suas operações para clientes.
No B2B, isso pode influenciar a competitividade. Por isso, empresas do Simples precisam comparar cenários antes de decidir.
Reforma tributária 2027: sua empresa está preparada?
A Reforma Tributária 2027 representa uma mudança concreta na rotina empresarial. Veja resumidamente o que muda:
- PIS e COFINS deixam de existir;
- A CBS entra definitivamente em operação;
- O IBS avança na transição;
- O Imposto Seletivo começa a ser cobrado;
- O IPI terá suas alíquotas zeradas para a maior parte dos produtos.
Ao mesmo tempo, empresas precisarão aprender uma nova lógica de créditos, atualizar sistemas, revisar contratos e recalcular preços.
Quem deixar tudo para janeiro poderá enfrentar problemas justamente quando as novas regras começarem a produzir efeitos.
A Ogura Contabilidade pode ajudar sua empresa a analisar os impactos da Reforma Tributária, simular cenários e identificar as melhores estratégias para a transição.






