Os riscos psicossociais passaram a ocupar um papel de grande destaque na gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
Com a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em 2026, as empresas passaram a ter a obrigação de identificar, avaliar e gerenciar fatores relacionados à saúde mental e à organização do trabalho, incorporando esses aspectos ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Essa mudança exige uma postura mais preventiva das empresas e reforça a importância de criar ambientes de trabalho seguros também do ponto de vista emocional. Mais do que cumprir uma obrigação legal, investir na gestão dos riscos psicossociais contribui para melhorar o clima organizacional, aumentar a produtividade e reduzir custos relacionados ao absenteísmo e à rotatividade.
Neste artigo, a Ogura Contabilidade explica o que são os riscos psicossociais, quais mudanças a NR-1 trouxe e como sua empresa pode se adequar às novas exigências.
O que são riscos psicossociais no ambiente de trabalho?
Índice
Os riscos psicossociais são fatores presentes na organização do trabalho que podem afetar a saúde mental, emocional e física dos trabalhadores.
Diferentemente dos riscos tradicionais, eles não estão relacionados a máquinas, equipamentos ou agentes químicos, mas à forma como o trabalho é planejado, executado e gerenciado.
Esses fatores podem gerar estresse contínuo, ansiedade, esgotamento profissional (burnout), depressão e outros transtornos psicológicos quando não são identificados e tratados adequadamente.
Entre os principais exemplos de riscos psicossociais estão:
- Sobrecarga de trabalho;
- Pressão excessiva por metas;
- Jornadas prolongadas;
- Falta de autonomia para executar as atividades;
- Assédio moral ou sexual;
- Conflitos frequentes entre colegas ou lideranças;
- Comunicação ineficiente;
- Insegurança em relação ao emprego;
- Ausência de reconhecimento profissional;
- Falta de definição clara de funções e responsabilidades.
Vale destacar que nem toda cobrança por resultados caracteriza um risco psicossocial. O problema surge quando as exigências ultrapassam limites razoáveis e passam a comprometer o bem-estar do trabalhador.
Por exemplo, estabelecer metas faz parte da rotina de praticamente qualquer empresa. No entanto, quando essas metas são inalcançáveis, acompanhadas de cobranças constantes, ameaças ou humilhações, o ambiente de trabalho pode se tornar prejudicial à saúde dos colaboradores.
Da mesma forma, jornadas eventualmente mais intensas podem ser necessárias em determinados períodos. Porém, quando a sobrecarga se torna permanente e impede períodos adequados de descanso, o risco de adoecimento aumenta significativamente.
O que mudou na NR-1 em relação aos riscos psicossociais?
A principal novidade da atualização da NR-1 foi deixar explícito que os riscos psicossociais também fazem parte do gerenciamento de riscos ocupacionais.
Na prática, isso significa que as empresas passaram a ter o dever de identificar fatores relacionados à organização do trabalho que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores e adotar medidas para reduzir ou eliminar esses riscos sempre que possível.
- Essa mudança amplia o conceito tradicional de Segurança e Saúde no Trabalho.
Antes, muitas empresas concentravam seus esforços em riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Agora, também precisam avaliar como fatores organizacionais podem impactar a saúde dos colaboradores.
Entre as novas exigências destacam-se:
- Identificação dos riscos psicossociais;
- Avaliação dos impactos sobre os trabalhadores;
- Inclusão desses riscos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR);
- Definição de medidas preventivas;
- Monitoramento contínuo da eficácia das ações adotadas.
Outro ponto importante é que a norma incentiva uma atuação preventiva. Sendo assim, a empresa não deve esperar que ocorram afastamentos, denúncias ou processos judiciais para agir. O objetivo é identificar situações de risco antes que elas provoquem adoecimento.
Essa abordagem está alinhada com uma tendência mundial de ampliar o conceito de saúde ocupacional, considerando não apenas a integridade física dos trabalhadores, mas também sua saúde emocional e psicológica.
Quais situações podem ser consideradas riscos psicossociais?
Uma das maiores dúvidas das empresas é entender quais situações realmente precisam ser observadas.
Não existe uma lista única e definitiva, pois cada organização possui características próprias. Um fator que representa risco em determinada empresa pode não existir em outra.
Mesmo assim, algumas situações costumam aparecer com frequência nas avaliações realizadas pelos profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho.
Entre elas estão:
- Metas incompatíveis com a capacidade da equipe;
- Excesso de horas extras;
- Acúmulo de funções;
- Comunicação agressiva ou desrespeitosa;
- Assédio moral ou sexual;
- Liderança baseada em intimidação;
- Falta de apoio dos gestores;
- Jornadas sem pausas adequadas;
- Conflitos constantes entre equipes;
- Ausência de participação dos trabalhadores nas decisões que afetam suas atividades.
Também merecem atenção ambientes marcados por competição excessiva, cobrança permanente por resultados e insegurança quanto à manutenção do emprego.
É importante compreender que a análise deve considerar o contexto da organização como um todo. O foco não está apenas em identificar problemas individuais, mas em avaliar se a forma como o trabalho é organizado pode contribuir para o adoecimento coletivo.
Como as empresas podem se adequar às novas exigências da NR-1?
A adequação começa pelo reconhecimento de que os riscos psicossociais fazem parte da gestão de Segurança e Saúde no Trabalho.
O primeiro passo é revisar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para verificar se esses fatores estão sendo considerados durante a identificação dos perigos existentes na organização.
Depois disso, torna-se importante desenvolver ações que permitam compreender melhor a realidade da empresa.
Algumas medidas incluem:
- Realizar avaliações do ambiente organizacional;
- Revisar processos de gestão de pessoas;
- Promover treinamentos para líderes;
- Criar canais seguros para denúncias;
- Fortalecer políticas de combate ao assédio;
- Estimular uma comunicação mais transparente;
- Acompanhar indicadores como absenteísmo e rotatividade;
- Revisar cargas de trabalho e distribuição de atividades.
Conclusão
Os riscos psicossociais passaram a integrar definitivamente a agenda das empresas com as novas exigências da NR-1.
A partir de agora, fatores relacionados à organização do trabalho também precisam ser identificados, avaliados e gerenciados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos, ampliando a visão tradicional sobre Segurança e Saúde no Trabalho.
O time da Ogura Contabilidade acompanha de perto todas as mudanças na legislação trabalhista e de Segurança e Saúde no Trabalho.
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