Novo limite do MEI: vale a pena continuar como MEI em 2027 e 2028?

Novo limite do MEI

O anúncio do novo limite do MEI chamou a atenção de milhões de microempreendedores em todo o país.

Depois de anos sem atualização, o Governo Federal apresentou uma proposta que prevê elevar o teto anual de faturamento para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois empregados.

A medida tem como objetivo atualizar um regime que, apesar de extremamente popular, possui um limite que não vinha acompanhando a evolução da inflação.

No entanto, é muito importante lembrar que a proposta ainda está em tramitação e, até sua aprovação definitiva, continuam valendo as regras atuais do MEI.

Neste artigo, a Ogura Contabilidade explica o que muda com o novo limite do MEI e mostra como avaliar se continuar nesse regime será realmente a melhor decisão para o seu negócio.

O que muda com o novo limite do MEI em 2027 e 2028?

A principal mudança proposta é o aumento gradual do teto anual de faturamento permitido para o Microempreendedor Individual.

Se a proposta for aprovada, os novos limites serão:

  • Até o final de 2026: R$ 81 mil por ano;
  • Em 2027: R$ 110 mil por ano;
  • Em 2028: R$ 140 mil por ano.

 

Na prática, isso significa que o empreendedor poderá faturar aproximadamente:

  • R$ 9.166 por mês em 2027;
  • R$ 11.666 por mês em 2028.

 

Outra alteração importante é a possibilidade de contratar até dois empregados, dobrando o limite atualmente permitido.

Essas mudanças procuram corrigir uma defasagem existente desde 2018. Durante esse período, inflação, custos operacionais e preços aumentaram consideravelmente, enquanto o teto do MEI permaneceu congelado.

Como consequência, milhares de empreendedores passaram a ultrapassar o limite apenas porque reajustaram seus preços para acompanhar o mercado.

O aumento proposto busca reduzir esse problema e permitir que pequenas empresas continuem crescendo sem necessidade imediata de migração para outra categoria empresarial.

O novo limite já está valendo?

Não. Apesar da ampla divulgação da proposta, as regras atuais continuam em vigor.

Isso significa que o MEI ainda está sujeito ao limite anual de R$ 81 mil, podendo contratar apenas um funcionário e seguindo todas as demais exigências atualmente previstas na legislação.

  • Essa informação merece atenção porque muitos empreendedores acabam confundindo uma proposta legislativa com uma mudança já aprovada.

 

Enquanto a nova lei não entrar em vigor, ultrapassar o limite atual poderá gerar desenquadramento do regime e cobrança de tributos conforme as regras aplicáveis às Microempresas.

Por isso, a recomendação é simples: continue administrando seu negócio considerando a legislação vigente.

Caso a proposta seja aprovada, haverá tempo para reorganizar o planejamento financeiro e tributário da empresa antes da entrada em vigor dos novos limites.

Quem realmente será beneficiado pelo aumento do limite do MEI?

Embora praticamente todos os microempreendedores enxerguem o reajuste com bons olhos, alguns segmentos tendem a ser beneficiados de forma ainda mais significativa.

Prestadores de serviços, profissionais autônomos e pequenos comerciantes que faturam entre R$ 81 mil e R$ 140 mil por ano poderão permanecer mais tempo no regime simplificado, evitando a migração antecipada para Microempresa.

Imagine alguns exemplos:

Um eletricista que hoje atende condomínios e pequenas empresas e fatura cerca de R$ 10 mil por mês, rapidamente ultrapassa o limite anual atual do MEI. Com o novo teto, poderá continuar no regime simplificado por mais tempo.

O mesmo acontece com um pequeno e-commerce, uma loja de roupas, um cabeleireiro, um designer, um fotógrafo ou um prestador de serviços digitais.

Muitos desses negócios já possuem demanda suficiente para ultrapassar os R$ 81 mil anuais, mas ainda não alcançaram um porte que justifique toda a estrutura administrativa de uma Microempresa.

Outro grupo beneficiado será formado pelos empreendedores que precisam ampliar suas equipes. A possibilidade de contratar um segundo funcionário oferece mais flexibilidade para empresas que desejam crescer sem abandonar imediatamente o regime do MEI.

Em outras palavras, o aumento do limite amplia o espaço para crescimento, principalmente para empresas que estavam ficando “espremidas” entre o faturamento permitido e a necessidade de expansão.

Quando deixar de ser MEI pode ser a melhor decisão?

Existe uma ideia bastante difundida de que sair do MEI representa sempre um aumento de custos. Na prática, isso depende da realidade de cada empresa.

Em muitos casos, o desenquadramento ocorre justamente porque o negócio está crescendo. Isso significa aumento do faturamento, expansão da carteira de clientes e novas oportunidades comerciais.

Alguns sinais indicam que talvez seja o momento de avaliar outro enquadramento tributário:

  • Faturamento próximo ao limite;
  • Necessidade de contratar mais funcionários;
  • Interesse em incluir sócios no negócio;
  • Intenção de abrir novas unidades;
  • Crescimento acelerado das vendas;
  • Necessidade de exercer atividades fora do rol de ocupações permitidas ao MEI.

 

Nessas situações, insistir em permanecer no regime simplificado pode acabar limitando o desenvolvimento da empresa.

O ideal é que a mudança aconteça de forma planejada, evitando desenquadramentos inesperados e permitindo uma transição organizada para a condição de Microempresa.

Conclusão

O aumento do limite do MEI representa uma excelente notícia para milhões de pequenos empreendedores. A proposta amplia o teto anual de faturamento, permite a contratação de um segundo funcionário e cria condições para que muitos negócios permaneçam por mais tempo em um regime tributário simplificado.

Entretanto, crescer não significa apenas faturar mais. À medida que a empresa evolui, surgem novas necessidades relacionadas à contratação de colaboradores, obtenção de crédito, expansão das atividades e planejamento tributário.

  • Em muitos casos, migrar para Microempresa pode ser uma decisão mais estratégica do que permanecer no MEI, mesmo com o novo limite.

 

Por isso, antes de tomar qualquer decisão, é fundamental analisar a realidade do seu negócio e entender qual enquadramento realmente oferece mais vantagens.

A Ogura Contabilidade acompanha de perto todas as mudanças na legislação e está preparada para ajudar você a avaliar o melhor caminho para sua empresa.

Se você quer crescer pagando apenas o necessário em impostos e evitando problemas fiscais, conte com uma equipe especializada para transformar as mudanças da legislação em oportunidades para o seu negócio.

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