Importar da China: erros que reduzem a margem e comprometem a lucratividade

Importar da China

Importar da China continua sendo uma das estratégias mais utilizadas por empresas brasileiras que buscam ampliar sua competitividade, aumentar a variedade de produtos e melhorar suas margens de lucro.

Com acesso a milhares de fabricantes, preços atrativos e uma enorme capacidade produtiva, o mercado chinês se tornou uma referência para importadores de todos os portes.

No entanto, muitas empresas acabam descobrindo que o preço pago ao fornecedor representa apenas uma parte do custo total da operação.

Na prática, erros de planejamento, classificação fiscal inadequada, escolha incorreta do fornecedor e falhas na gestão tributária podem reduzir significativamente a margem de lucro da importação.

Neste artigo, a Ogura Contabilidade apresenta os principais erros que reduzem a margem de quem importa da China e mostra como evitá-los para tornar a operação mais segura e lucrativa.

A falsa ilusão do preço baixo

Um dos erros mais comuns entre importadores iniciantes é acreditar que o preço pago ao fornecedor é o principal fator que determina a lucratividade da operação.

Ao pesquisar produtos em plataformas internacionais, muitos empresários enxergam apenas o valor unitário e concluem rapidamente que existe uma grande margem de ganho.

Porém, o custo de uma importação envolve diversos outros elementos:

  • Frete internacional;
  • Seguro da carga;
  • Imposto de Importação;
  • IPI;
  • PIS;
  • Cofins;
  • ICMS;
  • Taxas portuárias;
  • Armazenagem;
  • Despachante aduaneiro;
  • Transporte nacional;
  • Custos cambiais.

 

Quando esses valores não são considerados desde o início, o empresário corre o risco de vender com uma margem muito menor do que imaginava.

Em alguns casos, a operação pode até gerar prejuízo.

Por isso, antes de fechar qualquer compra internacional, é fundamental realizar uma simulação completa dos custos envolvidos.

Escolher fornecedores apenas pelo menor preço

Outro erro extremamente comum é selecionar fornecedores exclusivamente com base no menor valor ofertado.

Embora o preço seja importante, ele não deve ser o único critério de decisão.

Um fornecedor muito barato pode apresentar problemas como:

  • Produtos fora das especificações;
  • Baixa qualidade;
  • Falta de certificações exigidas no Brasil;
  • Atrasos na produção;
  • Dificuldade de comunicação;
  • Falta de suporte pós-venda.

 

Imagine uma empresa que importe equipamentos eletrônicos para revenda. Caso os produtos apresentem defeitos acima do esperado, o custo com trocas, devoluções e garantia pode consumir rapidamente toda a margem planejada.

Além disso, produtos que não atendam às exigências dos órgãos reguladores brasileiros podem ficar retidos na alfândega ou até mesmo ser impedidos de entrar no país.

Antes de fechar negócio, é recomendável realizar auditorias de fornecedores, solicitar amostras e verificar o histórico da fábrica.

Erros na classificação fiscal (NCM)

Poucos erros são tão prejudiciais para a rentabilidade quanto a classificação incorreta da mercadoria.

Toda mercadoria importada precisa ser enquadrada em um código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul).

Esse código determina:

  • Alíquota do Imposto de Importação;
  • IPI;
  • PIS;
  • Cofins;
  • ICMS;
  • Necessidade de licenças;
  • Exigências regulatórias.

 

Quando a classificação é realizada incorretamente, a empresa pode pagar impostos maiores do que deveria ou ficar sujeita a autuações fiscais.

Em muitos casos, o importador sequer percebe que está pagando mais tributos do que o necessário.

Por outro lado, uma classificação que resulte em tributação inferior à correta também representa risco, pois pode gerar multas, juros e cobrança retroativa dos impostos.

A análise da NCM deve ser feita de forma criteriosa, considerando as características técnicas da mercadoria e a legislação aplicável.

Não realizar planejamento tributário antes da importação

Muitas empresas fazem planejamento comercial, financeiro e logístico, mas esquecem do planejamento tributário. Esse é um erro que pode reduzir significativamente a margem da operação.

Dependendo da estrutura da empresa, do estado de destino e do produto importado, podem existir oportunidades para reduzir legalmente a carga tributária.

Além disso, determinadas operações permitem aproveitamento de créditos tributários que impactam diretamente o custo final da mercadoria.

Empresas que atuam no Lucro Real, por exemplo, podem se beneficiar de determinados créditos fiscais que muitas vezes são ignorados por falta de acompanhamento especializado.

O planejamento tributário permite identificar:

  • Regime tributário mais vantajoso;
  • Créditos fiscais disponíveis;
  • Estrutura operacional ideal;
  • Impacto dos impostos na formação do preço.

 

Sem esse estudo prévio, a empresa pode perder competitividade e reduzir sua lucratividade.

Ignorar o impacto da variação cambial

O câmbio é um dos fatores que mais afetam a rentabilidade das importações. Mesmo uma pequena variação na cotação do dólar pode representar uma diferença significativa no custo final da mercadoria.

Muitas empresas negociam com base na cotação atual, mas esquecem que o pagamento ao fornecedor pode ocorrer semanas ou meses depois.

Durante esse período, o câmbio pode sofrer alterações relevantes.

  • Imagine uma compra de US$ 100 mil.
  • Uma variação de apenas R$ 0,30 no dólar representa um aumento de R$ 30 mil no custo da operação.

 

Sem proteção cambial ou planejamento financeiro adequado, esse aumento pode reduzir drasticamente a margem de lucro.

Empresas que trabalham regularmente com importação devem acompanhar o mercado cambial e avaliar mecanismos de proteção quando necessário.

Não considerar todos os custos logísticos

Outro erro frequente é subestimar os custos logísticos. Muitos empresários calculam apenas o frete internacional e ignoram despesas que surgem após a chegada da carga ao Brasil.

Entre os custos frequentemente esquecidos estão:

  • Armazenagem;
  • Demurrage;
  • Capatazia;
  • Taxas portuárias;
  • Transporte interno;
  • Seguro nacional;
  • Desembaraço aduaneiro.

 

Dependendo do tipo de mercadoria e do porto utilizado, esses custos podem representar uma parcela relevante do valor total da operação.

Além disso, atrasos na liberação da carga costumam aumentar significativamente as despesas logísticas.

Por isso, o cálculo da margem deve considerar todo o percurso da mercadoria, desde a saída da fábrica na China até a chegada ao estoque da empresa.

Não acompanhar mudanças na legislação

A legislação relacionada à importação sofre alterações constantes. Mudanças tributárias, exigências regulatórias, acordos internacionais e novas obrigações acessórias podem impactar diretamente os custos da operação.

Empresas que não acompanham essas mudanças ficam mais expostas a:

  • Multas;
  • Autuações;
  • Perda de benefícios fiscais;
  • Aumento inesperado de custos.

 

Além disso, a Reforma Tributária vem promovendo mudanças relevantes no sistema de tributação brasileiro, o que exige atenção especial por parte dos importadores.

Manter-se atualizado é essencial para preservar a competitividade e evitar surpresas desagradáveis.

Conclusão

Importar da China pode ser extremamente lucrativo, mas a rentabilidade da operação depende muito mais do que simplesmente encontrar produtos baratos.

Erros relacionados à classificação fiscal, planejamento tributário, logística, câmbio e controle de custos podem reduzir significativamente a margem de lucro e comprometer os resultados da empresa.

Por isso, o sucesso na importação exige uma visão estratégica que envolva não apenas a negociação com fornecedores, mas também uma gestão eficiente dos aspectos fiscais, financeiros e operacionais.

A Ogura Contabilidade possui expertise em contabilidade para operações de comércio exterior e pode ajudar sua empresa a reduzir riscos fiscais, identificar oportunidades tributárias e aumentar a lucratividade das suas importações.

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