Simples Nacional na Reforma Tributária: vai acabar ou vai mudar?

Simples Nacional na Reforma Tributária: vai acabar ou vai mudar?

O Simples Nacional, um dos regimes tributários mais utilizados pelas micro e pequenas empresas brasileiras, está passando por um momento de incertezas diante da Reforma Tributária aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025.

Com a promessa de simplificação, justiça fiscal e unificação de tributos, a reforma mexe com as estruturas da tributação sobre o consumo no Brasil. Mas uma pergunta tem preocupado milhões de empreendedores:

“O Simples Nacional vai acabar ou apenas sofrerá alterações?”

Neste artigo, vamos esclarecer essa questão e mostrar como as mudanças podem impactar diretamente o dia a dia das empresas optantes pelo Simples.

Acompanhe até o final para entender o que permanece, o que muda e como se preparar para o novo cenário tributário.

O que é o Simples Nacional e por que ele é tão importante?

O Simples Nacional é um regime tributário criado em 2006 pela Lei Complementar nº 123. Ele foi pensado para desburocratizar e facilitar o recolhimento de impostos por microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP).

Seu principal atrativo é a unificação de tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). O recolhimento envolve:

  • IRPJ
  • CSLL
  • PIS
  • COFINS
  • CPP
  • ICMS
  • ISS

 

Além da simplificação, o Simples oferece alíquotas progressivas conforme o faturamento, o que permite a muitos empresários pagar menos impostos em comparação aos regimes de Lucro Presumido ou Lucro Real.

Hoje, mais de 20 milhões de empresas brasileiras são optantes pelo Simples Nacional — o que representa cerca de 90% dos CNPJs ativos do país.

Simples Nacional na Reforma Tributária: vai acabar?

Não. A boa notícia é que o Simples Nacional não vai acabar com a Reforma Tributária.

A própria Emenda Constitucional 132/2023, em seu artigo 146-C, garante a manutenção do tratamento favorecido e diferenciado às micro e pequenas empresas, incluindo o Simples Nacional. Sendo assim, o regime continuará existindo.

Contudo, isso não significa que o Simples permanecerá intocado. A Reforma prevê mudanças na forma como as empresas optantes poderão recolher tributos, especialmente no que se refere à nova estrutura de impostos sobre o consumo.

Quais tributos mudam com a Reforma Tributária?

Com a aprovação da reforma, os seguintes tributos serão substituídos:

  • PIS e COFINS darão lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – de competência federal.
  • ICMS (estadual) e ISS (municipal) serão substituídos pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – com gestão compartilhada entre estados e municípios.
  • Será criado ainda o Imposto Seletivo (IS), aplicado a bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

 

A unificação visa simplificar a cobrança e eliminar a cumulatividade de impostos, mas também implica mudanças na forma de recolhimento e no cálculo da carga tributária.

O que muda para empresas do Simples Nacional?

A LC 214/2025, que regulamenta a reforma, prevê que as empresas do Simples Nacional poderão permanecer no regime atual, com a tributação unificada por meio do DAS, ou optar por recolher a CBS e o IBS fora do DAS.

Sendo, a partir de 2027, o cenário será o seguinte:

1. Recolhimento dentro do Simples (como é hoje)

  • A empresa continua recolhendo todos os tributos unificados no DAS.
  • Não poderá utilizar créditos de IBS e CBS nas etapas da cadeia (o que pode ser desvantajoso em alguns setores).
  • Mantém a simplicidade, mas pode perder competitividade, especialmente em cadeias produtivas longas.

2. Recolhimento parcial dentro do Simples (opção mista)

  • A empresa continua no Simples Nacional, mas recolhe o IBS e CBS separadamente, fora do DAS.
  • Com isso, poderá aproveitar créditos de IBS e CBS, o que melhora a competitividade.
  • Implica em maior complexidade administrativa, já que será necessário entregar declarações separadas desses tributos.

 

A escolha será opcional, mas exigirá planejamento tributário e orientação profissional para entender o que vale mais a pena em cada caso.

O Simples continuará com os mesmos limites de faturamento?

Sim, pelo menos por enquanto. Os limites atuais de faturamento seguem válidos:

  • MEI: até R$ 81 mil por ano
  • Microempresa (ME): até R$ 360 mil por ano
  • Empresa de Pequeno Porte (EPP): até R$ 4,8 milhões por ano

 

No entanto, existem propostas em debate para ampliar esses limites nos próximos anos, especialmente o teto do MEI. Isso porque, com a inflação acumulada nos últimos anos, muitos pequenos empreendedores acabam desenquadrados automaticamente.

Quais cuidados os empresários devem ter a partir de agora?

Diante das mudanças, é fundamental adotar uma postura mais estratégica na gestão tributária. Veja algumas recomendações:

  1. Revisar o planejamento tributário: Com as novas regras, o regime atual pode não ser o mais vantajoso. Analise cenários comparativos com o apoio de um contador.
  2. Avaliar o aproveitamento de créditos: Se sua empresa está inserida em uma cadeia de produção, a possibilidade de utilizar créditos de IBS e CBS pode impactar diretamente na margem de lucro.
  3. Capacitar-se para cumprir novas obrigações: O recolhimento de tributos fora do Simples exigirá declarações próprias, controle detalhado e sistema de emissão de notas adequado.
  4. Acompanhar as regulamentações locais: Como o IBS terá gestão compartilhada por estados e municípios, é importante ficar atento às exigências de cada localidade.

Conclusão: o Simples Nacional continua, mas exige atenção redobrada

O Simples Nacional não vai acabar, mas passará por transformações importantes com a Reforma Tributária.

Os empresários terão a opção de continuar como estão ou recolher tributos fora do DAS para ganhar em competitividade e economia tributária.

A melhor escolha dependerá de diversos fatores: setor de atuação, volume de faturamento, perfil dos clientes, posição na cadeia produtiva, entre outros.

Neste momento, a melhor estratégia é se informar e contar com uma contabilidade de confiança.

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