Importação e exportação: quais impostos incidem sobre cada operação

Importação e exportação quais impostos incidem sobre cada operação

O comércio exterior é uma das áreas mais estratégicas para o crescimento das empresas brasileiras, especialmente aquelas que buscam ampliar mercados e reduzir custos de produção.

No entanto, para atuar com segurança e evitar prejuízos, é essencial entender quais impostos incidem sobre operações de importação e exportação. Esses tributos variam conforme o tipo de produto, o regime aduaneiro e a legislação vigente.

Neste artigo, a Ogura Contabilidade explica de forma clara quais são esses impostos, como funcionam e quais estratégias ajudam a reduzir a carga tributária nessas operações.

Impostos na importação

A importação é o processo de entrada de bens e serviços estrangeiros no Brasil. Quando uma empresa importa produtos, ela se torna responsável por recolher diversos tributos no momento do desembaraço aduaneiro, ou seja, quando a mercadoria é liberada pela Receita Federal.

Os principais impostos incidentes sobre a importação são:

Imposto de Importação (II)

O Imposto de Importação (II) é exclusivo para mercadorias vindas do exterior. Ele é cobrado pela Receita Federal e incide sobre o valor aduaneiro do produto, que inclui o preço pago, o frete internacional e o seguro.

As alíquotas variam conforme a classificação fiscal (NCM) do produto e podem ir de 0% a 35%, seguindo a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.

Esse imposto tem função regulatória, ou seja, serve mais para controlar o mercado do que para arrecadar. Assim, produtos estratégicos podem ter alíquotas reduzidas, enquanto outros são mais tributados para proteger a indústria nacional.

Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)

O IPI incide tanto sobre produtos fabricados no Brasil quanto sobre os importados. Na importação, ele é calculado sobre o valor aduaneiro da mercadoria somado ao II e às demais despesas aduaneiras.

A alíquota do IPI depende da natureza do produto e pode variar de 0% a mais de 300%, conforme a tabela TIPI (Tabela de Incidência do IPI).

PIS e Cofins-Importação

O PIS-Importação e o Cofins-Importação são tributos federais cobrados sobre a entrada de produtos e serviços estrangeiros no país.

Suas alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins, totalizando 9,25% sobre o valor aduaneiro.

Em alguns casos específicos, há acréscimos ou reduções, dependendo do tipo de produto e da legislação vigente. Esses valores podem gerar créditos tributários para empresas enquadradas no regime não cumulativo, ajudando a reduzir o impacto financeiro.

ICMS na importação

O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é um tributo estadual e também incide sobre importações.

Cada estado define suas próprias alíquotas, geralmente variando normalmente, entre 17% e 19%, podendo ser maior em operações específicas.

No entanto, existem alguns estados que oferecem benefícios fiscais, onde a alíquota pode ser de 4%, como por exemplo: Alagoas, Espírito Santos, Santa Catarina e Minas Gerais.

A base de cálculo do ICMS é o valor aduaneiro acrescido do II, IPI, PIS/Cofins, despesas aduaneiras e o próprio ICMS, o que significa que ele incide sobre si mesmo.

Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM)

O AFRMM é um tributo cobrado sobre o valor do frete marítimo, com o objetivo de financiar a infraestrutura da marinha mercante e dos portos brasileiros. As alíquotas são:

  • 25% para transporte de longo curso (importações);
  • 10% para cabotagem (transporte entre portos nacionais);
  • 40% para navegação fluvial e lacustre na região Norte.

Impostos na exportação

A exportação é o envio de produtos ou serviços nacionais para o exterior, e o Brasil adota um modelo de incentivo à exportação, no qual a maioria dos impostos é isenta.

O objetivo é estimular a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

Os principais tributos na exportação são:

Imposto de Exportação (IE)

O Imposto de Exportação (IE) é um tributo federal que incide sobre produtos exportados, mas é raramente aplicado. Ele só é cobrado em casos específicos, principalmente para controlar a saída de produtos estratégicos (como minérios e commodities).

A alíquota é definida pelo governo e pode chegar a 30%, embora normalmente seja 0% para a maior parte das mercadorias.

IPI

O IPI é isento nas exportações, ou seja, produtos destinados ao exterior não pagam o imposto.

Além disso, o exportador pode aproveitar créditos de IPI acumulados na aquisição de insumos usados na fabricação dos produtos exportados.

PIS e Cofins

Assim como o IPI, o PIS e a Cofins são zerados nas exportações.

As empresas que operam no regime não cumulativo ainda podem aproveitar créditos gerados nas compras internas, compensando tributos pagos na cadeia produtiva.

ICMS

A Constituição Federal determina que as exportações de produtos e serviços também são isentas de ICMS. Assim, as empresas não precisam recolher esse imposto na saída da mercadoria do território nacional.

Contudo, é importante registrar corretamente a operação e emitir a Nota Fiscal de Exportação, pois apenas com o documento fiscal e o registro no Siscomex a isenção é garantida.

Benefícios fiscais para exportadores

Além da isenção de impostos, as empresas exportadoras podem usufruir de regimes fiscais especiais que tornam a operação ainda mais competitiva, como:

  • Drawback: Suspende ou elimina tributos sobre insumos importados usados na produção de bens exportados;
  • Reintegra: Devolve parte dos tributos federais embutidos na cadeia de produção;
  • Ex-Tarifário: Reduz a alíquota do Imposto de Importação para bens de capital e tecnologia sem similar nacional;
  • Entreposto Aduaneiro: Permite armazenar mercadorias em local alfandegado sem pagar tributos até que sejam nacionalizadas ou exportadas.

 

Esses incentivos ajudam a reduzir custos e aumentar a margem de lucro das empresas que atuam no comércio exterior.

A importância da contabilidade especializada em comércio exterior

A gestão fiscal de operações de importação e exportação exige conhecimento técnico e atualização constante da legislação aduaneira.

Pequenos erros na classificação fiscal, no cálculo de tributos ou na emissão de documentos podem gerar multas elevadas e atrasos na liberação das mercadorias.

Uma contabilidade especializada, como a Ogura Contabilidade, oferece suporte completo para empresas que atuam no comércio exterior. Isso inclui:

  • Classificação correta das mercadorias (NCM);
  • Análise de regimes tributários e aduaneiros mais vantajosos;
  • Emissão de documentos fiscais e registros no Siscomex;
  • Planejamento tributário para reduzir impostos e aumentar a competitividade.

Conclusão

Compreender quais impostos incidem sobre importação e exportação é fundamental para garantir que sua empresa atue com segurança, eficiência e lucratividade no mercado internacional.

Enquanto a importação exige atenção para o pagamento de vários tributos, a exportação é amplamente incentivada, oferecendo isenções e créditos tributários.

Com o apoio da Ogura Contabilidade, sua empresa pode estruturar um planejamento tributário completo, identificar oportunidades de economia e garantir o correto cumprimento das obrigações fiscais.

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